Programa de Imersão em Direito Inovador

Com prazer anuncio que farei parte da coordenação do Programa de Imersão em Direito Inovador, uma série de cursos a distância criados por profissionais de pelo menos 8 diferentes ramos do conhecimento que, juntos, e depois de anos de estrada no front de combate do dia a dia, decidiram criar um caminho mais assertivo, concreto e acessível para construir e compartilhar conhecimentos multidisciplinares nas áreas do Direito, de Ciência de Dados, Design, Analytics, Jurimetria, Gestão, Tecnologia e Pesquisa.

A primeira versão do site já está no ar com detalhes sobre nossos três primeiros cursos: “Direito Digital” e “Mergulho na Ciência de Dados” e “Narrativa, Visual Law & Legal Design”.

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Manual de alforria pessoal

Na cabeça o sucesso de hoje é um tapa na cara do eu de ontem. Conseguir fazer agora dói, pois mostra que era capaz e poderia ter feito antes. Nessa lógica, a melhor forma de se sentir menos mal com os fracassos de outrora é não obter sucesso hoje. Assim, a culpa deve ser do sistema, do universo, de ter se engajado em algo que é para si. Qualquer coisa pode ser culpada, menos suas escolhas.


Com isto se coloca em um lugar mental em que o fracasso é mais confortável que o sucesso, e se blinda do chicote do passado com o chicote do presente, que tem o peso de um momento e não de muitos anos. Quando se ver neste local é preciso prestar atenção em como o corpo reage, e aceitar que a mente tem esses gatilhos. Que do jeito dela tenta proteger. E é exatamente neste momento que é preciso ser lúcido, e lembrar que infinitos chicotes no presente doem mais que um pesado chicote do passado. E mais. Um segundo após uma nova chicotada masoquista do presente ela se soma ao chicote passado, que a cada momento fica mais grosso e mais pesado.


Quando lucidamente se ver nesta situação deve-se mentalizar o chicote futuro, e lembrar que este sim é o mais pesado de todos. A certeza da chicotada futura é o estado mental mais angustiante e imobilizante, a do passado é letra morta e a do presente é a que deve ser encarada. Em nome de um futuro sem chicotes é preciso aceitar as chicotadas do passado, e pensar na doce liberdade que somente existirá se conseguir domar o chicote presente.

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A distância

Ah, a distância! O que tem de amendrontadora tem de poderosa. Como tudo parece tão duro, firme e imutável sem ela.


Se ter uma rotina faz bem ao homem, sair dela é o supra-sumo da benfeitoria. Imersos na rotina temos o olhar míope da formiga, que consegue ver cada detalhe, e trabalhamos mentalmente todos eles. Como uma boa formiga em cima de uma mesa, analisaremos todos os grãos de açúcar ali abandonados e bolaremos as melhores estratégias para nos alimentarmos deles.


Mas então a distância nos permite o olhar amplo da águia. O olhar que não consegue reparar quantos grãos de açúcar existem na mesa, e nem bolar estratégias para transportá-los e protegê-los. Mas é esse olhar que permite ver que existem vários outros alimentos além da mesa, e que toda a logística e complexidade dos grãos de açúcar da mesa talvez não sejam tão importantes assim.  De cima se vê que existem várias mesas, prateleiras, potes, frutas. Fontes infinitas de alimento para a pança e a alma de formigas e humanos.


Ser formiga é bom. Detalhes do cotidiano são apaixonantes e nos moldam. Mas devemos sempre lembrar de montar em uma águia e nos distanciar da mesa. Ver o todo e repensar nossas preocupações. Saindo da mesa nos permitimos sair da caixa.

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Inteligência artificial para classificação de documentos

Hoje nossa equipe do MPRJ abriu o ciclo de palestras do Arquivo Nacional com apresentações sobre Inteligência artificial para classificação de documentos. Confira abaixo o vídeo na íntegra:

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Ligações na madrugada

Uma vida sem ligações na madrugada não merece ser vivida. Como se mede o valor de uma pessoa se não pela quantidade de pessoas que ligarão nos seus melhores e piores momentos para compartilhá-los?


E não venha dizer que você tem amigos certinhos, tranquilos, que dormem às noves horas da noite e acordam para ver a alvorada! Esses seres estranhos também tem seus momentos insones, e até por sua falta de intimidade com a madrugada tendem a viver suas maiores loucuras e a ter seus piores pesadelos acordados noite adentro. E é nessa hora que se descobre o quanto uma pessoa vive dentro da outra. Na alegria ou na tristeza. Na sorte ou no azar. Na depressão ou no gozo.

Você me ligaria de madrugada?

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Monte Cervino


Eu sempre viajei o mundo através dos livros, dos filmes, da minha fértil imaginação. Nunca senti necessidade de me deslocar até um ponto do globo para saber como ele é. Sempre bastou fechar os olhos e pronto! Lá eu estava.


Mas então te conheci. Meio beatnik e meio hippie, com pitadas de trocentas outras referências não listáveis por um reles mortal. Você que jovem caiu na estrada, e me contou madrugadas afora sobre as delícias e decepções de viver na prática meus sonhos. Você que me instigou a desbravar rodovias rumo a uma pequena cidade no meio do nada. Sem certezas. Levando apenas uma mochila e um sorriso. 


Ali naquele estacionamento, depois de passar o dia como um andarilho sem rumo testando os melhores bancos da cidade para me encostar e ler Allen Ginsberg, quando meu olhar fitou o seu eu sabia que o caminho era sem volta, e que aquela cidade era uma mera escala em um caminho que seria criado ao caminhar.


Quanta energia pode caber em uma pessoa?!? Com certeza o suficiente para abastecer várias cidades. Pelotas, Cascavel, Pato Branco, Caiobá… nenhuma delas seria capaz de consumir tamanha energia que se expande para o universo e além.


Ter que voltar para casa foi angustiante. Eu tremia naquele ônibus assim que você foi embora da rodoviária. Inclusive desci e, eu que havia parado de fumar, pedi um cigarro ao motorista. Precisava me drogar para conter a ansiedade de estar me afastando daquelas tatuagem despretensiosas que me remetiam a Torres Garcia e abandonando toda a vida que você emanava. Mas nada como o tempo. E viajar de ônibus do Velho Oeste para a capital realmente nos dá muito tempo para pensar. Entre curvas e plantações de milho, escrevendo poesia ruim e lembrando os últimos dias, me toquei que não estava deixando você para trás, mas na verdade eu trazia comigo todo o vigor de uma vida vivida no mundo das coisas, e não no campo dos sonhos.


Mas a verdade é que depois daqueles dias eu nunca mais voltei para casa. Estive no mesmo lugar várias vezes, mas ele já não era o mesmo. Na verdade talvez até fosse, mas eu definitivamente não era. Passei a não caber mais em um quarto, um apartamento, um bairro, uma cidade, um país. O mundo, meu velho pequeno amigo que cabia em minha cabeça, de repente se revelou gigante, cheio de segredos e mistérios a serem descobertos in loco.


Alguns podem suspeitar da veracidade de uma jornada que começou no Portal do Céu (desculpe Seu Elias) ter rodado quatro continentes e, uma década depois, ainda ter a jovial capacidade de se apaixonar. Para esses eu tenho apenas um recado: noites frias tem cheiro de lasanha de strogonoff.

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Paixão platônica correspondida

Uma paixão platônica pode durar a vida inteira. Um amor construído em silêncio não tem falhas, atritos e nem sofre os desgastes normais de uma relação se a outra parte não fizer ideia de que é amada. Mas, o que será que acontece se por acaso a outra parte sentir o mesmo? Poderão duas pessoas se apaixonarem platonicamente uma pela outra ao mesmo tempo?


Por quanto tempo poderá resistir essa paixão? Como se sente um cortejador sendo cortejado por sua idealização? Poderão os sentimentos mútuos e mudos se encontrarem em alguma dimensão paralela e fomentarem uma aproximação terrena?  Ou poderá acontecer o contrário? Um apaixonado platônico ao ver que existe chance de reciprocidade, manterá sua chama? Consigo imaginar alguns românticos entrando em pânico nesta situação.


A paixão platônica correspondida é uma bomba relógio de dois tempos. A primeira explosão é aquela já cantada em prosa e verso, onde amantes vêem diante de um espelho sentimental seu objeto de desejo e se afogam em infinitos homônimos de prazer. Mas aqui quero tratar da segunda explosão. O choque de realidade. Essa barra inevitável que é a frustração de expectativas.


O maior dilema da paixão platônica correspondida é se confrontar com a outra pessoa de verdade. Afinal, você não se apaixonou pela pessoa, mas pela ideia que você mesmo criou à sua imagem e semelhança! Quão kafkaniano é conhecer alguém que tem a mesma aparência, voz e até nome de quem você está apaixonado, mas que na verdade é uma pessoa com vontades, vícios e virtudes diferentes de sua paixão?


Nenhum relacionamento a dois pode competir com um relacionamento criado apenas por um. E melhor, criado em um universo não sujeito às leis da física, da estatística, da psicologia e do tempo. Neste mundo idealizado, se algo não vai bem basta um pouco de imaginação para se viver o momento novamente, quantas vezes forem necessárias, até a perfeição ser atingida.


E quem irá se arriscar a perder uma paixão perfeita? Só um tolo! A melhor coisa que apaixonados platônicos correspondidos racionais podem fazer é fugir um do outro. Para bem longe! Para outra  cidade. Com um novo nome! Acabe com sua materialidade e viva no seguro mundo dos sonhos! E para o tolo que não seguir este conselho; saiba que sua paixão irremediavelmente irá acabar, dando  lugar a uma grande frustração. Ou a um grande amor.

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Fuga

Pessoas em fuga não são fugitivas. Não pelo menos no sentido metafórico mental em que nos referimos a alguém que não quer encarar seus problemas. Se mudar para outro lugar não é fuga. É coragem. É encontro. É vida. Fugir é ficar sentando no trono de um apartamento esperando a morte chegar. Fugir é achar que a vida não pode ser melhor do que já é. É achar que se tem muito a perder e não vale a pena arriscar.


Fugir parado é a forma mais eficiente de nunca mais ter que encarrar a vida de frente. A cada dia no  mesmo lugar se acumulam coisas, pessoas, sentimentos e poeira, que em grande volume torna árduo o trabalho de ser sacudida. O soterramento emocional é a forma mais eficiente de fuga! Lá no fundo do poço o fugitivo está escondido dos olhares recriminadores da sociedade que vai em frente e, com tanta coisa em cima de seus ombros, o fugitivo já nem consegue mais ver a luz que brilha fora do poço. 


Está aí! Este é o segredo de uma fuga. Ficar no mesmo lugar e se soterrar emocionalmente. Acumular tanta coisa sobre seus ombros até não ter mais forças para ver a luz que brilha fora do poço. Se alguém conseguir pensar em uma melhor receita para uma vida medíocre favor enviar carta para a redação que publicaremos a errata.


Se um dia eu disser que não posso ir com você, saiba que ai sim estarei fugindo. 

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40 anos

Não é todo dia que se faz 40 anos. Mas na verdade, 40 é uma idade que se faz por muitos dias. É comum em aniversários de 35 anos muitos já se acharem mais pra lá do que pra cá, e sentirem um peso nas pernas e nos ombros que com certeza só podem ser culpa da eminente chegada dos 40. Alguns levam mais tempo no processo de transição. Outros chegam até aos 60 sem passar pelos quarenta. Mas um fato é inquestionável: o simbólico 40 se exibe e se insinua para todos.

Esse algarismo sisudo, com ângulos retos, sem curvas sinuosas como o 2 e o 3, representa muita coisa na vida de seres com dez dedos que utilizam números arábicos. Sua linhas duras lembram continuamente que o tempo é implacável, e instituem um senso de urgência quase automático. Ao mesmo tempo, sua falta de rebolado instaura uma espontânea maturidade, passando a certeza de que os tempo de molecagem acabaram e agora se tem experiência suficiente para viver a vida como ela é.

Alguém famoso já disse que a vida começa aos 40. Eu não seria dramático assim descartando de uma biografia toda a estrada que a trouxe até aqui, mas é inegável que se a vida não começa neste ponto, certamente nesta ocasião um novo volume da biografia é aberto, escrito com nova linha editorial e para um público bem distinto.

Ter quarenta é uma escolha de vida. É desapegar dos sonhos inacabados juvenis. É estimar mais qualidades que quantidades. É admirar a estética grisalha com orgulho. É eleger quando e com quem se embriagar. É ir para outro porto sem se ressentir pelo que fica para trás. É mudar a vida de rumo segura e sem mágoas. É ouvir Bob Dylan e saber responder como se sente uma pedra rolante, sozinha e desconhecida, sem possibilidades de retorno para casa. É saber responder afinal quem eu sou.

Aos quarenta entendemos que a vida faz sentido, e é muito mais simples do que os 20 alardeavam e muito menos angustiante do que os 30 bufavam. Do alto de sua sabedoria e vivência, um quarentão sabe que o segredo para uma vida bem-aventurada é brega e clichê: basta seguir seu coração e fazer coisas que o levem nessa direção. Com isso, aos quarenta não mais se comemora nos aniversários outro ano de vida completado, mas sim se celebra a serenidade contida na plácida confiança de saber que, dentre todos os lugares físicos e mentais do mundo, se está exatamente onde se gostaria de estar.

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