Não trabalhe em um lugar só

Essa foi a frase mais marcante do episódio #20 do Happy Hour Remoto! Falamos sobre isso a partir de 12:00

No tempo de nossos pais era normal uma pessoa passar a carreira inteira na mesma empresa. Um bom emprego em uma organização sólida moldava a vida. Desde o local onde a família vai morar até metas de vida eram pensados em torno de um plano de carreira estável.

Hoje o mercado é muito mais dinâmico, e o “funcionário de carreira” se tornou um ser raro. Profissionais com experiências em diferentes empresas passaram a ser vistos inclusive como diferenciais que podem trazer mais experiências diversificadas para uma nova posição.

É inegável o quanto trabalhar em ambientes diferentes é bom para a formação de qualquer profissional. Em cada equipe por onde passamos conhecemos novas dinâmicas, métodos, tecnologias e pessoas, e aumentamos nosso portfólio de skills que poderão ser reutilizadas (ou não) em futuros projetos.

O “ou não” ali em cima é muito importante! Aprender o que não funciona é parte central na construção da senioridade de um profissional, e existe uma probabilidade estatística clara de que quanto maior for o número de diferentes projetos e ambientes por ele tiver passado, maior será o número de lições aprendidas sobre o que não dá certo.

Mas leva muito tempo…

Toda essa trajetória de carreira é muito bonita, mas demanda um tempo enorme ficar trocando de emprego e aprendendo lições em locais diferentes. Até porque para de fato tirar boas lições, não adianta ficar apenas um mês em cada local. É preciso viver ciclos inteiros de projetos para que os aprendizados sejam sólidos.

A melhor forma de acelerar seu crescimento profissional é trabalhar em mais de um local ao mesmo tempo. Na economia do século XXI são crescentes as ofertas de empregos em tempo parcial, e os freelas (mais caretamente também chamados de “contratação temporária com escopo fechado”) abundam! São raras hoje as carreiras que não apresentam possibilidade do profissional ter um contrato temporário para oferecer sua expertise para atuar parcialmente em um projeto.

Como estar fisicamente em dois lugares ao mesmo tempo?

Porém, muitas vezes não é fácil colocar a teoria na prática. A pessoa que passa 2 horas por dia no trânsito dificilmente terá tempo e energia para trabalhar em mais de um coisa. E é aí que nós que trabalhamos de casa temos uma grande vantagem. Para nós, “sair de um trabalho” e “ir para o outro escritório” significa apenas dar alguns cliques. Não levamos nem um minuto neste “deslocamento”.

E não precisar se deslocar até escritórios presenciais nos traz outra grande vantagem: não precisamos nos limitar a trabalhar em locais que sejam fisicamente acessíveis. Em algumas grandes cidades, como Rio e São Paulo, já seria humanamente inviável trabalhar em dois escritórios que não fiquem na mesma região. Mas nós podemos trabalhar para empresas em diferentes cidades. E em diferentes países!

Um profissional que saiba trabalhar de casa abre as portas do mundo para sua carreira. Além de ter todas as vantagens já citadas no início do texto, um trabalhador remoto poderá ter a experiência de atuar em projetos ainda mais diversos, se envolvendo em mercados que podem nem existir em sua cidade e conhecendo pessoas de diferentes culturas e formas totalmente diferentes de construir relações de trabalho.

Com toda essa bagagem cultural diversa, com certeza o remoter se desenvolverá como profissional muito mais rápido que seu colega que se formou no mesmo curso e mora no mesmo prédio, mas que todo dia encara o trânsito e passa todas suas horas produtivas no mesmo lugar.

Dicas de produtividade e felicidade no trabalho remoto você encontra em nosso canal do Youtube, o Happy Hour Remoto, onde compartilhamos dicas rápidas para quem trabalha de casa e realizamos lives toda sexta-feira, às 18h30. Clique no link e inscreva-se agora no canal! http://happyhourremoto.com/

Cuide da higiene de sua atenção

Essa foi a frase mais marcante do episódio #19 do Happy Hour Remoto. Falamos sobre isso a partir de 1:21:25

Muito se fala sobre estarmos vivendo na era da informação, mas poucas vezes paramos para pensar sobre os reflexos práticos desta nova era em nossa saúde mental. Vivemos conectados 24 horas por dia, recebendo estímulos a todo momento pedindo um pouco de nossa atenção. E-mail, WhatsApp, televisão…nós sempre temos algum conteúdo pedindo para ser consumido a cada segundo.

E para quem trabalha de casa esse cenário tende a ser ainda pior. Não temos aquele momento de se deslocar até o trabalho, e nem as saudáveis pausas para jogar conversa fora 5 minutos com um colega de trabalho enquanto pegamos um café. Quem trabalha de casa tende a ser uma pessoa que gosta do mundo digital, e vive nele não só seus momentos de trabalho, como também suas horas de descanso e lazer.

Não nos permitimos mais ficar entediados. Estamos sempre a uma nova aba ou a um clique no celular em nosso bolso de uma nova distração, e é comum passarmos dias e dias seguidos sem nos desligarmos por mais de cinco minutos de coisas que demandam nossa atenção.

Façamos um teste rápido:

  • Você se lembra da última vez que saiu de casa sem o celular?
  • Você se lembra da última vez que sentou no banheiro sem mexer em nenhum aplicativo?
  • Você se lembra da última refeição que fez em que não estava com o celular ou televisão ligados?
  • Você se lembra da última vez que deitou na cama sem nenhum aparelho eletrônico ligado?
  • Você se lembra da última vez que em uma mesa com amigos ou família você dedica a sua atenção completa para as pessoas, sem a dividir com o celular?

Se você respondeu “não lembro” para qualquer uma dessas perguntas temos um sinal de alerta! E se essa foi sua resposta para todas as perguntas, você com certeza está com um problema de higiene da atenção!

Todos esses estímulos nos mantém em um constante estado de alerta, e não permite descansar de verdade. Eu sei bem disso. Vivo na própria pele essa situação. É muito tentador e fácil nas minhas horas de descanso do trabalho abrir uma rede social ou ligar a televisão. E é exatamente isso que eu faço se estou distraído.

Nosso cérebro está viciado e automaticamente procura por esses prazeres rápidos, que tal como uma droga fornecem uma alegria momentânea, mas que é seguida de uma vontade de consumir mais e mais. E o pior, após as altas descargas de dopamina que essas atividades propiciam, outras atividades cotidianas que oferecem doses imediatas menores de dopamina, como fazer seu trabalho ou cuidar da casa, se tornam ainda menos interessantes de serem feitas.

Mudar hábitos como esse não é uma tarefa fácil. Quando estamos em um ciclo automático de ação a pura força de vontade não funciona! É necessário um “choque de gestão” em nossa rotina, que mapeie quais gatilhos nos levam a determinadas ações. Alcançar esta “atenção plena” em nossos atos é um desafio, árduo, e uma forma que encontrei para auxiliar nesta tarefa é fazer um detox digital.

A proposta é simples: durante 24 horas você não se permitirá consumir nenhum conteúdo digital. Desplugue seu roteador de internet. Tire a televisão da tomada. Desligue seu telefone celular cheio de aplicativos! Durante essas 24 horas você sentirá vontade de buscar essas distrações várias vezes. Mas, sabendo que não terá essa possibilidade, deverá então prestar atenção em si mesmo.

Preste atenção em seu corpo. Como você está se sentindo no momento? Está cansado? Agitado? Ansioso? Perceba quais situações disparam os gatilhos no seu cérebro para as ações que você deseja limitar. Você acabou de realizar uma tarefa árdua? Mudou de ambiente na casa e/ou sentou em um lugar específico?

Parece simples, e realmente é. Mas incrivelmente nós não temos o hábito de prestar atenção em nós mesmos no cotidiano, e é exatamente esta atenção poluída que nos faz entrar tantas vezes no piloto automático ao longo do dia. Quando você simplesmente para e observa o que está acontecendo com seu corpo e sua mente, e começa a entender o que te leva para as distrações, começa a ficar claro o que você poderá fazer quando sentir esta necessidade após o detox.

E tem mais! Depois de alguns minutos se observando, você começará a ficar entediado. Nos últimos tempos passamos a olhar para esse conceito, “tédio”, como algo muito negativo. Para a maioria das pessoas ficar “entediado” é um sinal de desperdício, de vagabundagem. Queremos sempre estarmos nos sentido ocupados com algumas coisas para nos acharmos produtivos, mesmo que seja “um uso produtivo de nosso momento de lazer”.

Mas, o tédio tem um poder transformador! Ao nos permitirmos momentos de ócio completo damos um merecido e necessário descanso para nossa mente! E como nossa mente é incrível! Em pouco tempo, quando ela começa a dar sinais de relaxamento, você não só consegue dedicar mais pensamentos a coisas que são realmente importantes para você, e não escolhidas pelo algoritmo de qualquer rede social, como também desintoxicado das descargas enormes de dopamina, você se percebe incrivelmente mais disposto a realizar tarefas que, apesar de importantes, antes pareciam tão difíceis ou chatas de serem começadas.

Eu realmente não tenho palavras para descrever os resultados positivos de um detox digital. No dia seguinte você já olha para o celular com outros olhos. Não que eu não entre em redes sociais ou assista à um vídeo no YouTube. Mas, com minha higiene da atenção bem feita, eu consigo escolher exatamente quando e o que consumir, sendo o senhor de meu tempo, e não escravo de minhas distrações.

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Só monitore o que você pode mudar: Use métricas acionáveis!

O assunto encerrou o episódio 18 do Happy Hour Remoto, a partir de 1:06:00.

No mundo do trabalho remoto existem trocentas ferramentas que prometem aumentar sua produtividade. Na grande maioria delas, você precisa investir um bom tempo cadastrando projetos, tarefas, prazos, tempo gasto, sensações…

É tentador querer utilizar todas! Sabemos que vivemos em um mundo onde quanto mais informações tivermos sobre determinado assunto, melhores decisões poderemos tomar. Então, parece fazer sentido criarmos cada vez mais dados sobre nossa performance para podermos melhorá-la.

Mas, nem tudo são flores. É muito comum pessoas se empolgarem com um aplicativo e investirem um bom tempo o alimentando, e depois serem bombardeados com vários gráficos e métricas que na prática não ajudam em nada. Ou pior: se dedicarem um bom tempo o alimentando para depois simplesmente o abandonarem.

A chave para não cair nessa cilada é muito simples: métricas acionáveis! Sempre que você decidir gastar energia para medir alguma coisa, deve ter clareza do motivo de estar interessado em ter aquelas informações estruturadas, e já decidir previamente qual ação você poderá tomar a depender do resultado apresentado.

As métricas que você cria apenas por criar, sem ter uma ação clara para realizar sobre elas, são chamadas de “métricas de vaidade”. Assim como uma princesa perguntando ao seu espelho mágico se existe alguém mais linda que ela no mundo, a resposta encontrada poderá até alimentar seu ego temporariamente, mas não trará nenhum benefício real para sua vida.

Quando você cria uma métrica acionável precisa pensar com antecedência o que poderá mudar a depender do resultado encontrado. Isso te trás pelo menos três grandes vantagens:

  • Ao saber o que poderá ser melhorado, você visualiza com clareza o benefício que será obtido com seu esforço de monitorar seu trabalho, podendo avaliar se sua relação com o custo de tempo e energia empreendidos na missão realmente valem a pena.
  • Tendo em mente exatamente o que fará dependendo do resultado, você consegue escolher métricas melhores. “Descrever é prescrever”, já dizia um antigo sábio. Quando você já sabe onde quer chegar, poderá investir apenas nas métricas relacionadas diretamente ao seu objetivo.
  • Tomada de ação rápida para a melhoria! Quando você já definiu antecipadamente qual ação será tomada em cima do resultado da medição, a procrastinação perde espaço. Nada de passar horas olhando para gráficos, tentando interpretar o que pode você tirar de útil deles. Você simplesmente compara o resultado com a expectativa planejada e atua conforme havia previsto.

É tentador querermos medir tudo que fazemos. Especialmente para mim, que atuo com ciência de dados, muitas vezes soa um grande desperdício não coletar todos os dados que me forem possíveis. Mas, é preciso lembrar que coletar dados demanda tempo e energia, e se eles não tiverem uma função clara, serão apenas mais um elemento causador de distrações e ansiedades no seu dia-a-dia.

Então, lembre-se: antes de começar a medir qualquer coisa se pergunte “o que eu farei com essa informação?” e crie métricas acionáveis!

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Técnica Pomodoro: Descanse antes de cansar!

O assunto foi destaque do episódio 17 do Happy Hour Remoto, a partir de 37:10.

É muito comum trabalharmos focados até cansar. Parece a coisa óbvia a ser feita. “Enquanto eu estiver com energia, sigo trabalhando”. Se na cultura dos escritórios tradicionais isso já acontece, no trabalho remoto esta prática é ainda mais comum.

Só que existem dois grandes problemas que são ignorados por quem passa horas a fio trabalhando sem parar:

  • A cada hora que passa você fica mais improdutivo.
  • Quando você cansa é difícil de se recuperar.

O primeiro problema é mais conhecido do público em geral. Você com certeza já sabe que depois de três horas trabalhando não está mais tão produtivo quanto na primeira, e que depois de dez horas sem parar seu cérebro já está derretendo, e seu rendimento está baixíssimo.

Sabendo disso, a maioria das pessoas quando percebe que sua produtividade está baixando, provavelmente ali pela terceira hora de trabalho, resolve descansar para recarregar as energias e voltar ao trabalho. Mas, é exatamente aqui que o segundo problema ataca.

Quando você já está cansado, é mais difícil descansar. Quando seu corpo já está dolorido e sua mente não aguenta mais aquela tarefa, você precisará de mais tempo de descanso, e dificilmente voltará ao nível de produtividade que começou o dia.

Pode parecer contraintuitivo, mas a resposta para essa questão é descansar antes de cansar. Quando você se obriga a fazer pequenas pausas antes de estar cansado, a recuperação é muito mais rápida e leve.

Para auxiliar nesta missão eu utilizo a técnica do Pomodoro. Criada pelo consultor de produtividade Francesco Cirillo no final dos anos 80, ela propõe uma forma de trabalhar muito simples: Você deve trabalhar 25 minutos com foco total, e parar 5 minutos.

O nome do método é inspirado neste tomatinho de cozinha, que pode ser usado em sua mesa de trabalho para medir o seu tempo.

Vale destacar que durante os minutos de trabalho o foco deve ser total. Todas as distrações devem ser evitadas. Celulares devem estar modo avião, abas com redes sociais devem estar fechadas. Se você mora com outras pessoas, explique para elas que você dará atenção no momento do intervalo, e crie alguma forma de deixar sinalizado para os demais quando você estiver no modo “não perturbe”.

Eu particularmente não me adaptei bem a proposta de Cirrilo de trabalhar 25 e descansar 5. Eu demoro um pouco a conseguir mergulhar plenamente em uma tarefa quando a começo, e ficava com a sensação de que não tinha feito quase nada quando já era hora de parar, e depois eu perderia um bom tempo para me focar novamente.

Assim como os 5 minutos de intervalo ficaram pequenos demais para mim. Seja vendo redes sociais, fazendo um lanche ou colocando roupa suja para lavar, eu sempre acabava esticando o intervalo para 8 ou 9 minutos…

Com a observação de meu comportamento eu fui adaptando o Pomodoro para minha realidade, e hoje estou muito feliz trabalhando 1 hora focado e tirando 15 minutos de intervalo.

Para quem nunca trabalhou desta forma pode parecer que gasto tempo demais ao longo do dia com os intervalos, mas existem dois fatores importantíssimos que fazem valer totalmente a pena essa forma de trabalhar:

  • Em um dia de trabalho “tradicional”, as micro interrupções já tomam um tempo enorme, a maioria das pessoas que não percebe o quanto. Eu as concentro em bloco do dia, não precisando dezenas (ou centenas) de vezes ao longo do dia retomar o foco após uma distração.
  • Eu nunca estou cansado trabalhando. Fazendo meus descansos planejados mantenho um alto nível de produtividade ao longo do dia, não tendo a esperada perda de foco nas últimas horas do dia.

E se o Pomodoro já é ótimo para melhorar a produtividade no trabalho, ele também ajuda a ter uma maior qualidade de vida em outros aspectos do meu dia. Sabendo que tenho bloco de tempo determinados ao longo do dia para me afastar do trabalho, consigo concatenar pequenas tarefas domésticas que não precisam se acumular para a noite (ou para o final de semana…)

E, se tudo isso não fosse suficiente, ainda existe a maravilhosa sensação de chegar ao final de um longo dia produtivo de trabalho sem se sentir esgotado! Sabe aquela sensação que você tem ao sentar no sofá depois de ficar 10 horas grudado na tela do computador e só querer olhar para o teto mal tendo forças para conversar ou fazer qualquer outra atividade? Fazendo Pomodoro ela não acontece! Você termina o dia muito mais inteiro e com energia para fazer mais coisas de sua vida além de trabalhar.

Lembre-se descanse antes de se cansar! Teste a técnica Pomorodo, aprenda com o seu corpo e sua mente quais intervalos de tempo funcionam para você e nos conte o resultado!

Dicas de produtividade e felicidade no trabalho remoto você encontra em nosso canal do Youtube, o Happy Hour Remoto, onde realizamos lives toda sexta-feira, às 18h30. Clique no link e inscreva-se agora no canal! http://happyhourremoto.com/

Happy Hour Remoto

Quando começou o isolamento social muita gente me mandou mensagens pedindo dicas sobre como trabalhar de casa. Vendo a quantidade de pessoas que estava caindo de paraquedas nesta nova realidade resolvi convidar outro profissional, Pedro Marins, que também tem anos de trabalho remoto, para conversarmos ao vivo sobre o assunto.

Assim nasceu o Happy Hour Remoto. Um programa onde batemos um papo descontraído sobre a vida trabalhando de casa e compartilhamos dicas e sugestões de atividades que tornam nosso cotidiano mais produtivo e feliz (e tomamos umas cervejas, claro!).

As primeiras sete edições do programa aconteceram no Instagram, mas a partir de maio os programas serão exibidos no Youtube, sempre ao vivo, toda sexta-feira, às 18h30.

Siga o canal do Happy Hour Remoto no Youtube para ser avisado das próximas transmissões em: https://www.youtube.com/channel/UCVdavRYjlmM_ueJineAfnvQ