Como apoiar o setor de Tecnologia?

O Rio de Janeiro é historicamente um grande polo de tecnologia da informação, com muitas universidades formadoras de mão-de-obra qualificada e grandes empresas que demandam serviços especializados. Porém, ao longo dos últimos anos, a cidade maravilhosa foi perdendo espaço para outras regiões do Brasil, e hoje muitos políticos tentam apresentar fórmulas mágicas para recuperar nosso protagonismo.
Nós acreditamos que não existe fórmula mágica de incentivo, e que a melhor forma da prefeitura auxiliar o mercado é se focar em fazer apenas o mínimo necessário e deixar que indústria cumpra seu papel. Na prática, isso significa na área de TI que a prefeitura deveria ser uma grande provedora de dados de inteligência, compartilhando através de APIs abertas informações, e deixando que o mercado desenvolva as soluções que serão utilizadas pelos cidadãos. Dessa forma a prefeitura economizará recursos, empregos serão criados e o cidadão terá acesso a mais serviços de qualidade.
Um bom exemplo prático é a localização dos ônibus. Muitos candidatos estão defendendo que a prefeitura deveria investir na criação de um aplicativo para celulares que diga para o cidadão onde está o ônibus e quanto tempo ele vai levar para chegar ao ponto. A ideia do aplicativo é realmente muito boa, mas será que a prefeitura deveria mesmo tentar desenvolvê-lo? Hoje, no portal de dados abertos da prefeitura, estão disponíveis apenas os dados de algumas linhas, mas não de todas. Eu tenho certeza que se a prefeitura fizesse seu papel fiscalizador e garantisse os dados de todos os ônibus ao vivo no portal, ela não precisaria se preocupar com o desenvolvimento do aplicativo. Naturalmente o mercado utilizaria esses dados e criaria não um, mas vários aplicativos diferentes com informações sobre os ônibus para o cidadão escolher. Nesse modelo o cidadão ganha um serviço de qualidade, a indústria gera empregos e a prefeitura economiza recursos!
Além da disponibilização aberta dos dados, outra forma da prefeitura estimular a indústria é publicar toda sua produção intelectual em domínio público. Sejam estudos sobre a cidade, materiais didáticos ou softwares, tudo que for pago com dinheiro público deve estar livremente disponível para utilização por qualquer pessoa, seja física ou jurídica, para qualquer fim, seja comercial ou não. Não faz sentido termos que pagar novamente pelo licenciamento de utilização de algo que teve seu desenvolvimento pago com nosso próprio dinheiro. Ao fazer isso, além de reduzir o custo de contratação de algumas iniciativas, a prefeitura estará compartilhando inteligência sobre a cidade, que poderá ser utilizada para planejamento de investimentos e otimização de recursos.
Com relação a carga tributária, a prefeitura deve mudar sua política de cobrança do ISS. Hoje a cidade cobra o teto nacional de 5%, porém vários setores tem subsídios e chegam a pagar apenas 0,1%. Essa guerra por subsídios divide o empresariado carioca, e faz com que alguns setores tenham que pagar mais caro para sustentar os mais articulados que recebem benéfices estatais. Em uma cidade mais justa não estaríamos disputando entre nós quais setores merecem ser escolhidos como “campeões municipais” pela prefeitura para receber o subsídio, e sim cobrando em conjunto a correta redução do ISS para todos os setores, estimulando toda a cadeia produtiva da cidade.
Se você quiser saber sobre minhas propostas para a area de tecnologia não deixe de clicar no vídeo ao lado, no qual converso com Sylvestre Mergulhão, empresário carioca do setor de desenvolvimento de software que encara diariamente o desafio que é manter um negócio aberto e gerando empregos em nossa cidade.
Vamos mudar?

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